Poeta brasileira repensa estereótipo da mulher louca em livro de estréia

Tóia Azevedo, poeta e artista, publica “Meninas Loucas Não Vão Para o Céu” pela Quintal Edições. Lançamento acontece dia 10 de junho, na Ria Livraria

Para onde vão as meninas loucas? É a partir desse questionamento que a poeta e artista visual Tóia Azevedo se debruça a esmiuçar em sua estreia na poesia em “Meninas Loucas Não Vão Para o Céu”, a ser publicado pela Quintal Edições, que trabalha somente com publicações de autoria feminina.

O livro está em pré-venda no site da editora até dia 9 de junho, com desconto de 10% no preço de capa. O lançamento acontecerá presencialmente, na mesma data, na Ria Livraria, em São Paulo.

“Meninas Loucas Não Vão Para o Céu” traz poemas e prosa poética de Tóia Azevedo, com edição gráfica de Maria Theresa Morais. O livro conta, ainda, com prefácio assinado pela poeta Camila Assad, autora de “Desterro” (2019, Macondo), e orelha da escritora e professora Geruza Zelnys, autora de “Esse Livro não é Pra você” (2015, Patuá),

A obra apresenta uma mulher artista em construção que visa se desvencilhar do estereótipo comum da loucura, passeando por temas como abuso sexual, conflitos familiares, adolescência, distúrbios alimentares e instabilidade afetiva. O livro ainda traça forte diálogo com poetas como Sylvia Plath, Alejandra Pizarnik e Hilda Hilst, notadamente marcadas pelo seu comportamento irreverente.

Em “Meninas Loucas Não Vão Para o Céu”, Tóia Azevedo evoca uma possibilidade outra que elenca a subjetividade do eu-lírico em suas múltiplas facetas, ainda que elas estejam em conflito. Trata-se de um processo de elaboração de uma identidade poética que assume a própria dor, sem romantiza-la — se as meninas loucas não vão para o céu, é preciso criar um lugar para elas. E, aqui, a própria menina louca busca construir esse lugar:

“(…)
Quando penso
para onde vão todas as meninas loucas
as putas despudoradas feias histéricas
gordas magras mal amadas bem amadas
frígidas ninfomaníacas
abusadas
caladas cavadas cravadas manchadas
encalhadas exageradas excitadas depravadas
desvairadas desatinadas desequilibradas
descontroladas perturbadas problemáticas
lunáticas insensatas
inconformadas

penso sim em um lugar muito específico mas

se eu contasse
você não acreditaria”
(“Para Onde Vão As Meninas Loucas”, p.16)

Pesquisadora em arquétipos mitológicos, aspectos do feminino e do processo vida-morte-renascimento, a poeta também estabelece uma forte conexão com o mito de Perséfone em sua obra, investigando a ideia da mulher louca enquanto medial, ou seja, a que estaria transitando sempre entre dois mundos, ressignificando a instabilidade que atravessa a sua poética.

“Meninas Loucas Não Vão Para o Céu” também traz uma voz que, ainda que estreante, não se poupa em experimentar, seja no formato dos textos, seja no uso subversivo de recursos gráficos que marcam a originalidade de sua poesia.

sobre a autora

Tóia Azevedo (arquivo pessoal)

++Tóia Azevedo é poeta e artista visual. Nascida na Bahia, vive em São Paulo e é graduada em Artes Visuais no Instituto de Artes da Unesp. Trabalha com representações do próprio corpo no espaço, tempo e sociedade.

Sua pesquisa é centrada na investigação de arquétipos mitológicos, aspectos do feminino e no processo cíclico de vida-morte-renascimento. Também estuda a loucura e suas manifestações materiais e simbólicas. Tem como principais meios a fotografia e a escrita, mas também trabalha com performance, cerâmica, colagem e pintura. É autora de “Meninas loucas não vão para o céu” (Quintal Edições)

informações sobre o lançamento

10/06
19h
Ria Livraria — R. Marinho Falcão, 58 — Sumarezinho, São Paulo — SP

--

--

2000. Em reinvenção. Poeta & Jornalista. Editei em Ano II: Ensaio. Escrevo e investigo testemunhos da corporeidade feminina e da linguagem do abismo.

Love podcasts or audiobooks? Learn on the go with our new app.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
Laura Redfern Navarro

Laura Redfern Navarro

2000. Em reinvenção. Poeta & Jornalista. Editei em Ano II: Ensaio. Escrevo e investigo testemunhos da corporeidade feminina e da linguagem do abismo.